“Vai dar bilhão!” Já se foi o tempo em que bilhão era motivo de meme, tempo em que significava um número grandioso. Aparecia nos delírios do debate político, que tendem a superestimar valores das promessas políticas. Isso é passado. Bilhão, nos dias de hoje, virou troco.
Peço desculpas aos leitores, mas esta coluna vem cheia de números. Não há outra forma de ilustrar o trem que vem vindo em nossa direção.
Recentemente, li uma notícia assustadora: o governo lançou, desde março, novas medidas a cada 3,5 dias, somando cerca de R$ 200 bilhões em gastos.
Se só na campanha antecipada é assim, podemos imaginar o que vem por aí.

Landau: ‘A indecência descambou para obscenidade envolvendo os Três Poderes’ Foto: Wilton Junior/Estadão
Muita gente dá de ombros: “Todo mundo faz”. Pois bem, recorri à IA para buscar dados de outras eleições e comparar. Em 2018, a PEC Kamikaze, de Guedes e Bolsonaro, custou R$ 41 bilhões. Se somarmos a PEC dos Precatórios de 2017, chegamos a um pouco mais de R$ 80 bilhões. Escandaloso, mas menos da metade do que gastou Lula em um único semestre.
Na guerra eleitoral de 22, o Bolsa Família subiu para R$ 600. Analistas calculavam* ser preciso uns R$ 80 bilhões para financiar o compromisso de campanha, abraçado por todos os candidatos. Lula ganhou e pediu mais. O Congresso lhe deu o dobro com a PEC da Transição.
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Mas nada se compara a 2026. A herança será grave. O arcabouço fiscal perdeu credibilidade de vez. Boa parte das medidas são financeiras ou extraorçamentárias para contornar o teto. Com isso, dívida/PIB não para de crescer e os juros perdem espaço para cair. Neste ritmo, não há Desenrola que resolva.
Não é só no Executivo. As emendas subiram de R$ 3,4 bi em 2015 para R$ 47,1 bi em 2025, representando um aumento de 2,5% das despesas discricionárias em 2015 para 21,0% em 2025.
A corrupção, em vez de diminuir após a Lava Jato, explodiu com seu fim. No Mensalão foram uns R$ 100 milhões, que, mesmo corrigidos, não chegariam a meio bilhão. Segundo o TCU, o Petrolão levou R$ 12 bilhões da Petrobras e cerca de R$ 40 bilhões no total, o que, a preços de hoje, superaria R$ 70 bilhões. Aí chegamos aos tentáculos Master, mais INSS. O valor está em aberto: FGC, fundos de pensão, consignados, etc. A cada mensagem revelada, um novo escândalo.
Por fim, segundo a Frente de Consumidores, Lula 3 e Congresso, entre isenções e leilões mal desenhados, deixam de herança R$ 1 trilhão nas contas de luz.
Sim, você leu corretamente: vai dar trilhão.
PS: Na coluna passada, chamei de indecente o prejuízo de R$ 8 bilhões dos Correios em 2025. E agora, só no primeiro trimestre, o resultado negativo chegou a R$ 3,2 bilhões. A indecência descambou para obscenidade envolvendo os Três Poderes.
* Dados em centraldasemendas.info













