Xi se exaltou ao falar do Japão em cúpula com Trump – 24/05/2026 – Mundo


O líder chinês, Xi Jinping, repreendeu a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, pela “remilitarização” do país, em um discurso acalorado durante a cúpula com Donald Trump, segundo sete pessoas familiarizadas com o encontro em Pequim.

Xi se mostrou exaltado e agitado ao discutir o Japão, surpreendendo autoridades americanas, já que o assunto não havia sido abordado nas conversas antes da cúpula. Várias pessoas afirmaram que o ataque verbal de Xi foi o momento mais tenso dos dois dias de cúpula entre os líderes.

Após Xi criticar Takaichi e o aumento dos gastos com defesa do Japão, Trump respondeu que Tóquio precisava adotar uma postura de segurança mais assertiva devido à crescente ameaça da Coreia do Norte. Não ficou claro se Trump mencionou a China —a maior preocupação de segurança do Japão— no mesmo contexto.

Christopher Johnstone, ex-alto funcionário da Casa Branca para o Japão, disse que a “abordagem cáustica” de Xi em relação ao Japão e o esforço para explorar o desejo de Trump por relações estáveis entre EUA e China apenas reafirmaram a busca de Tóquio pela autossuficiência em segurança.

“A falta de autoconsciência de Xi é notável. Suas próprias ações estão acelerando o surgimento de um Japão muito mais forte”, disse Johnstone.

“A retórica anti-Japão da China não encontra apoio além de suas próprias fronteiras. Tóquio está fortalecendo os laços de segurança com parceiros em toda a região, incluindo Austrália, Filipinas e até mesmo Coreia do Sul, todos os quais se preocupam muito mais com uma China agressiva do que com um Japão remilitarizado’”, completou.

Tóquio tem citado a ameaça representada pela China à frente da ameaça da Coreia do Norte em sucessivos livros de defesa anuais. Desde 2023, o país descreve as atividades militares e a postura externa chinesas como o “maior desafio estratégico”.

Uma versão preliminar do documento de 2026 concentra-se em incidentes recentes de maior assertividade militar por parte da China e expressa “séria preocupação” com o aprofundamento da cooperação militar entre Pequim e Moscou.

As relações entre Pequim e Tóquio deterioraram-se drasticamente desde novembro, quando a China reagiu às declarações de Takaichi, que afirmou que um ataque chinês a Taiwan poderia representar uma “ameaça existencial” ao Japão, justificando o envio de suas Forças Armadas.

Apesar de não constituir uma mudança de política, as declarações de Takaichi provocaram condenação por parte da China.

Desde então, Pequim tem mantido uma série constante de ataques ao Japão, mesclando retórica com medidas concretas, como a imposição de limites às exportações de terras raras de dupla utilização. Na sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da China informou que o Japão aumentou seus gastos militares em 9,7% até 2025.

“O orçamento de defesa do Japão vem aumentando há 14 anos consecutivos, mas as forças de direita japonesas continuam a exigir um aumento nos gastos com defesa”, acrescentou. “Isso demonstra, mais uma vez, que a máscara de ‘país para a paz’ do Japão está caindo e que o país está deslizando rumo ao neomilitarismo.”

A China, o segundo maior investidor militar do mundo, aumentou seus gastos com defesa em 7,4% no ano passado, para US$ 336 bilhões, o 31º aumento anual consecutivo, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo. O Japão gastou US$ 62 bilhões.

Após seus comentários sobre Taiwan, Takaichi não recebeu praticamente nenhum apoio público de Trump ou de altos funcionários americanos, uma situação que gerou ansiedade em Tóquio, antes da cúpula de Pequim, sobre o que Trump diria sobre o Japão.

Trump telefonou para Takaichi do Air Force One em seu voo de volta a Washington. Mas a Casa Branca e o governo japonês não divulgaram detalhes sobre o que o presidente disse à japonesa.

Tóquio também está nervosa com o estado da aliança EUA-Japão, devido a questões que vão desde a forma como Trump impôs tarifas a aliados, até novas preocupações de que a dissuasão militar americana contra a China esteja sendo diluída por causa da guerra com o Irã.

O Financial Times noticiou no sábado que os EUA informaram ao Japão, neste mês, que o país deve esperar sérios atrasos na entrega de 400 mísseis Tomahawk, encomendados por Tóquio em 2024 para servirem como força de “contra-ataque” contra a China.

Aliados e parceiros também estão preocupados com o compromisso de Washington com Taiwan, após Trump ter afirmado em Pequim que um pacote recorde de vendas de armas para Taiwan, no valor de US$ 14 bilhões, era uma boa “moeda de negociação” com a China.

A Casa Branca foi procurada para comentar a conversa de Xi com Trump sobre o Japão. A embaixada chinesa em Washington não respondeu ao pedido de comentário. O gabinete da primeiro-ministra do Japão também se recusou a comentar.



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