Natural de Manaus (AM), Paula Pereira escolheu a cidade de Marrakech, em Marrocos, para viver profissionalmente na área de turismo há 12 anos. Foto: Paula Pereira/Arquivo pessoal
Os quatro cantos do planeta se concentram, desde 11 de julho, para a maior competição de futebol: a Copa do Mundo de 2026. Quarenta e oito seleções entram em campo para disputa do título mais importante do esporte, mobilizando bilhões de torcedores que se unem para incentivar suas respectivas nações no torneio mundial.
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No meio desse universo, milhares de brasileiros espalhados nos países mundo afora aproveitam o Mundial para se reconectar com suas raízes e fortalecer a torcida verde e amarela pela Seleção Brasileira, que vai em busca do hexacampeonato.
Nesse clima de Copa, o Portal Amazônia preparou a série especial Amazônia na Copa, para falar sobre a torcida de brasileiros nascidos na Amazônia Legal que vivem nos países que serão adversários do Brasil na fase de grupos do Mundial: Marrocos, Haiti e Escócia.
Na primeira reportagem, a amazonense Paula Pereira, natural de Manaus, conta que há mais de 10 anos mora na cidade marroquina de Marrakech e detalha como é torcer pela seleção brasileira no país africano. A empresária de 67 anos aproveitou para contar também o que mais sente falta da terrinha baré e o que faz apaziguar a saudade na Cidade Vermelha.
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Conexão Amazonas-Marrocos
Paula conta que sua relação com Marrocos começou em 2014. Apaixonada por turismo, a amazonense trabalhava como servidora pública e também ajudava a administrar um hostel, tipo de hospedagem voltada para serviços de quartos compartilhados. Apaixonada pelo país africano, a manauara decidiu se aposentar do funcionalismo público para se dedicar a conhecer a cultura marroquina.
“Depois da aposentadoria, criei uma agência com foco no turismo para brasileiros. Por conta disso que essa experiência despertou o desejo de conhecer o país mais profundamente”, explicou Paula ao Portal Amazônia.

Encantada com o país considerado ‘porta de entrada’ da África, Paula preparou a mala e enfrentou mais de 7 mil quilômetros – distância em linha reta entre Manaus e Marrocos – para residir em Marrakech, cidade localizada no centro-oeste do país.
Lá, a manauara administra uma agência de turismo especializada em roteiros personalizados e tours voltados exclusivamente para famílias, casais e grupos de pessoas do público brasileiro em Marrocos.
“Trabalhamos com guias marroquinos, inclusive com opção em português, espanhol ou inglês, na produção de roteiros exclusivos de acordo com as necessidades e preferências dos clientes: pessoas 60+, famílias com crianças, casais, grupos de amigos, tudo voltado para o público brasileiro. Já são mais de cinco mil atendimentos em grupo e privativos”, explica a empresária.
Relação com futebol

Além do turismo, o futebol também figura na lista dos hobbies de Paula. Torcedora do Botafogo, a empresária conta que acompanha o esporte desde criança e que essa ligação se intensifica ainda mais durante o período de Copa do mundo.
Ao Portal Amazônia, ela contou os detalhes de como é torcer pelo Brasil em pleno território marroquino, país que será o primeiro adversário da seleção canarinha no Mundial deste ano. As equipes se enfrentam neste sábado, 13 de maio, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
“Gosto muito de futebol, desde pequena eu assisto e torço pela Seleção Brasileira nos jogos. Eu só não posso torcer de forma eufórica aqui, né, porque a torcida marroquina é bem inflamada e, apesar dos dois países terem uma relação diplomática muito próxima, quando se trata de futebol é meio complicado brasileiro torcer contra eles”, revela Paula.
A empresária relata que os marroquinos, a exemplo dos brasileiros, também são apaixonados pelo futebol e que esse amor pelo esporte cresceu ainda mais desde a Copa de 2022, no Catar, quando a equipe africana foi a quarta melhor seleção da competição, algo histórico no país.
Além disso, os ‘Leões do Atlas’ irão participar pela terceira vez consecutiva do Mundial, o que vem colocando a seleção marroquina entre os times mais fortes do mundo.
“Em 2022, estava aqui em Marrocos e após a eliminação do Brasil, eu torci a favor deles aqui em Marrakech e foi uma experiência muito eletrizante porque eles são muito fervorosos com o futebol e a seleção de Marrocos está ganhando notoriedade nos últimos anos. Atualmente, eu gosto muito do goleiro Bonno. E eles também admiram e respeitam muito o futebol brasileiro, torciam por nós também”, relembra a empresária.
Expectativa para Copa
Para o Mundial deste ano, Paula afirma que irá torcer pela Seleção Brasileira na busca pelo hexa, mas admite que também dividirá as atenções para apoiar a seleção marroquina. Para o duelo entre brasileiros e marroquinos, jogo que marca a estreia das seleções no Mundial, Paula já cravou o seu palpite:
“Sem sombra de dúvidas, eu vou torcer pelo Brasil! Mas se o Marrocos ganhar, não ficarei triste porque eles têm uma ótima seleção. Creio que será uma partida difícil e eu chutaria o placar de 2 a 1 para o Brasil”, palpita a brasileira.

Saudades das terras manauaras
Apesar da experiência de conhecer outros lugares e culturas diferentes ao redor do planeta, Paula admite que sente falta do seu lugar de origem.
Há 12 anos em Marrocos, a ex-servidora pública afirma que todos os anos retorna à Manaus para matar a saudade da família e da gastronomia regional. Ao Portal Amazônia, a manauara ‘escalou’ as coisas que pretende “dar fim à nostalgia “reencontrar” e aproveitar bastante na vinda à capital amazonense.
“Sinceramente, depois da família, a primeira coisa que sinto falta é das nossas chuvas, aqui chove pouco. Depois vem o peixe, as cachoeiras, os igarapés, o tucumã, a nossa floresta amazônica, o meu boi Garantido, o termo ‘mana’, os maritacas e, claro, o x-caboquinho”, pontua Pereira.

O calor intenso, inclusive, é um dos motivos para Paula visitar a família em Manaus. De junho até setembro, as temperaturas na cidade marroquina chegam a ultrapassar 40ºC, o que levou Paula a decidir viajar para a capital amazonense.
De quebra, Paula vai poder acompanhar a Copa do Mundo no bairro Parque Dez de Novembro, zona centro-sul da capital, onde sua família mora .
“Vou passar quatro meses em Manaus, visitar minhas duas filhas e netas. Já aviso que a primeira coisa que irei fazer é tomar um banho de cachoeira e comer uma caldeirada de tambaqui”, comemora Paula.













