A Abu Dhabi Ports está comprando a CLI – a dona de um terminal agrícola no Porto de Santos e outro no Porto de Itaqui, no Maranhão – por US$ 835 milhões (cerca de R$ 4,2 bilhões ao câmbio de hoje), dos quais US$ 500 milhões em equity value e o restante em assunção de dívidas.
A transação marca a entrada da AD Ports na América Latina e é a maior aquisição da história da companhia, que vale cerca de US$ 6 bilhões na Bolsa de Abu Dhabi e tem crescido com M&As nos últimos anos.
Quatro anos atrás, a AD Ports pagou US$ 645 milhões pela espanhola NoAtum, que tem ativos em diversos países do mundo.
O processo de venda da CLI — cujo come significa Corredor Logística e Infraestrutura — começou no início do ano passado. Inicialmente, estavam à venda apenas os 50% que pertenciam à gestora IG4, já que a australiana Macquarie, que tem os 50% restantes, não tinha intenção de sair do negócio.
No final do ano passado, a AD Ports engajou nas conversas, mas com a exigência de comprar 100% do negócio.
O valor da transação implica um múltiplo relativamente alto de 8x EV/EBITDA, “mas não dá para falar que o comprador pagou caro porque são ativos finitos, então o múltiplo não significa muita coisa,” disse uma fonte a par do assunto. “Mas é fato que a AD Ports teve que ser competitiva na oferta para gerar engajamento do Macquarie, que entrou no ativo há quatro anos e não queria sair agora.”
A IG4 entrou primeiro no terminal de Itaqui, em 2020, por meio da reestruturação de uma dívida de cerca de US$ 200 milhões. Dois anos depois, comprou o terminal agrícola de Santos que pertencia à Rumo, e trouxe a Macquarie como sócia para financiar a aquisição.
Em Santos, o CLI Sul é um dos 11 terminais de grãos e açúcar que operam no porto.
Os dois ativos movimentaram mais de 17 milhões de toneladas de grãos e açúcar no ano passado, o equivalente a cerca de 10% de todo o volume exportado pelo Brasil.
A receita da CLI foi de quase R$ 1 bilhão, com um EBITDA de R$ 556 milhões e um prejuízo de R$ 12,7 milhões.
Para a AD Ports, o investimento não deve ser o último, já que o investimento faz parte da estratégia de food security do Oriente Médio.
“Para eles, é muito importante estar com acesso a infraestrutura que permite o escoamento da comida, então faz sentido outros investimentos na região,” disse uma fonte que tem interlocução com o grupo.
O BTG Pactual assessorou a AD Ports, que usou o Machado Meyer como legal counsel.
O Citi assessorou a CLI, que trabalhou com o Pinheiro Neto e o Lefosse.












