Com as bets, Brasil já entra derrotado na Copa


E a população sabe disso, Do total de eleitores, 59% creem que bets provocam endividamento, 62% concordam que elas viciam e, diante disso, 44% defendem que devam ser proibidas, frente a 24% que acham que elas devam continuar operando, segundo a última pesquisa Meio/Idea.

E quem mais bota dinheiro nessas dragas é quem menos tem — o que não surpreende, dada a difusão das mentiras de enriquecimento rápido com o jogo. Entre os que ganham até um salário mínimo, quase 25,8% apostaram recentemente. Já entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, a taxa cai para 16,7%.

E 28% creem que algum familiar aposte escondido, o que é sinal de que sabe que não pode ou não deveria, mas, mesmo assim, faz. A população vai percebendo que, em termos de vício, a diferença entre bets e o crack é que um traz o risco da boca, e o outro, a segurança do celular.

Nenhum imposto pago por plataforma de apostas cobre o custo de uma família destruída pela dívida, de um tratamento de saúde mental que o SUS não vai conseguir oferecer porque a fila de viciados em jogo é longa, de uma criança que vai dormir com fome porque o responsável acreditou, mais uma vez, que dessa vez ia dar certo, de um jovem que adiou o sonho de entrar na faculdade porque crê que bet é fonte de renda.

A jogatina não criou o desespero brasileiro. Ela só aprendeu a monetizá-lo com extrema eficiência.

As bets deveriam ter sido banidas no governo Jair Bolsonaro, que foi leniente com o crescimento do problema, autorizando repasses ao futebol, depois no governo Lula, que preferiu regulamentá-las, apostando que iria colocar ordem na casa. Agora, parte da economia amarrou seu burro nessa tragédia, o que tem servido como justificativa para a mídia, o entretenimento e o esporte pressionarem para manter tudo como está.





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