O presidente Lula (PT) intensificou anúncios, lançamentos, inaugurações e entregas de seu governo com a proximidade da eleição deste ano, quando ele concorrerá a mais um mandato à frente do Palácio do Planalto.
Até maio, o petista concentrou esses atos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Também aparece no topo do ranking de anúncios o Amazonas —sem contar os compromissos na capital federal, onde Lula mora e trabalha.
Lula e seu grupo político buscam casar a agenda de inaugurações do governo com as necessidades da pré-campanha nas próximas semanas. Estados eleitoralmente importantes, como Minas Gerais, tiveram pouca presença do petista até o momento.
Houve um salto no número de anúncios e eventos na agenda do presidente no último mês. Dezoito dos 43 que dos primeiros cinco meses do ano ocorreram em maio. No mesmo período de 2025, foram realizados 31 eventos, sendo 7 em maio.
A reportagem extraiu os dados da agenda oficial do petista. Foram considerados anúncios, lançamentos, inaugurações, entregas e assinaturas de novas ações do governo.
Medidas simbólicas, como o lançamento das medalhas em comemoração aos 90 anos do salário mínimo, não entraram na conta. Também foram desconsiderados anúncios de investimentos privados dos quais Lula participou e medidas como sanções ou vetos de projeto de lei, que dependem de um movimento anterior do Congresso.
O chefe do governo busca aumentar sua popularidade com a proximidade da eleição. A expectativa é de disputa acirrada com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A mais recente pesquisa Datafolha mostrou o petista com 47% das intenções de voto para o segundo turno, contra 43% de Flávio –um empate no limite na margem de erro.
Lula verbalizou a intenção de acelerar entregas durante evento em Sergipe na sexta-feira (29). O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) veda, a partir de 4 de julho (três meses antes do 1º turno), algumas condutas por parte de agentes públicos, como nomeações, exonerações e contratações, assim como participação em inauguração de obras públicas.
“Eu só sou candidato a presidente da República depois do dia 3 de julho. Até dia 3 de julho, eu sou presidente da República, eu vou viajar o Brasil entregando todas as obras que nós fizemos”, declarou. “Eu posso visitar obra, mas não posso inaugurar. E, se eu quiser fazer campanha, é depois das 18h quando terminar minha atividade da Presidência, ou de sábado e domingo.”
Ao visitar uma região para inaugurar um hospital, por exemplo, Lula pauta o debate público local com um assunto positivo para o seu governo, na visão de seus aliados. Quando dá entrevistas à imprensa local, as perguntas costumam incluir obras de interesse regional.
Para compensar determinados estados para onde não pôde viajar, como em épocas em que cumpriu compromissos internacionais em sequência, Lula realizou agendas no próprio Palácio do Planalto, em Brasília, com os gestores locais, como em abril, quando recebeu dois governadores em uma semana.
Estados
Os estados onde Lula fez mais anúncios e inaugurações neste ano foram São Paulo, Rio de Janeiro e Amazonas.
O petista fez sete eventos do tipo em seis cidades paulistas diferentes. Todos os quatro compromissos do tipo no Rio de Janeiro foram na capital estadual. São Paulo tem o maior colégio eleitoral do Brasil, e o Rio de Janeiro, o terceiro —Minas é o segundo.
O Amazonas tem apenas o 15º eleitorado mais numeroso do Brasil. Os quatro compromissos de Lula no local computados no levantamento da Folha foram em uma mesma viagem. O petista passou os dias 26 e 27 de maio no estado.
São Paulo, Rio de Janeiro e Amazonas têm em comum o fato de serem alguns dos estados em que as alianças eleitorais de Lula estão mais estabelecidas. Os pré-candidatos a governador que se associarão ao presidente nesses lugares serão Fernando Haddad (PT-SP), Eduardo Paes (PSD-RJ) e Omar Aziz (PSD-AM).
Aliados do petista receiam que inaugurações em estados onde a alianças ainda estão em negociação tumultuem as conversas –por exemplo, se o evento tiver a participação de determinado setor da política local e não de outro.
Isso ajuda a explicar por que Minas Gerais só foi palco de uma das ações computadas no levantamento. Lula ainda não tem candidato a governador no estado. Parte de seus aliados acha possível que uma operação política delicada una novamente o petista e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), pré-candidato a governador que se afastou do PT nos últimos anos.
Desde o final do ano passado já se observava um esforço da gestão para acelerar a frequência de entregas de caráter mais popular. Na época, foram encadeados eventos como o lançamento do Reforma Casa Brasil, ações de crédito imobiliário, a retirada da obrigatoriedade da autoescola para emissão da CNH, além de retomada de ações para motoristas e outros grupos de baixa renda.













