Empresário favorito para comprar SAF do Botafogo evitou falências bilionárias e salvou o Cirque du Soleil

Aproximação entre Gabriel de Alba, representante da GDA, e João Paulo Magalhães, presidente do associativo, começou após o empréstimo captado por John Textor em fevereiro

O acordo de cessar fogo entre o Botafogo e a Eagle abriu caminho para um novo investidor na SAF. A GDA Luma Capital enviou proposta há algumas semanas e é a favorita para assumir o controle do clube carioca. A empresa é especializada em investimentos “distressed assets” (ativos podres) e é liderada por Gabriel de Alba, presidente do Cirque du Soleil, conceituado no mundo de reestruturação.

A GDA é especializada em assumir investimentos de alto risco para recuperação de ativos e salvar empresas à beira da falência. No caso do Botafogo, a empresa ofereceu US$ 105 milhões para ter 90% das ações da SAF. Além disso, o empréstimo de US$ 25 milhões feito para pagar o transfer ban de Thiago Almada seria quitado, ou seja, é como se o investimento total fosse em torno de US$ 130 milhões.

Gabriel de Alba é um dos nomes responsáveis pela recuperação do Cirque du Soleil, mas, na época, ele era um dos sócios da Catalyst Capital Group, que era a credora da companhia. Esse exemplo é tratado como uma certa semelhança às ideias que a GDA tem para o Botafogo. Na ocasião, o circo não chegou a decretar falência, mas entrou em recuperação judicial em 2020 por dívida na casa de US$ 1 bilhão.

O plano de reestruturação foi feito por Alba, que recapitalizou, reorganizou e fez o negócio crescer novamente. Ele liderou uma reestruturação, assumiu o controle, injetou capital e converteu a dívida em ações para evitar a falência. A estratégia foi utilizar a projeção judicial para renegociar as dívidas existentes, converter as dívidas antigas em participações acionárias e focar em novas estratégias de receita.

Outro exemplo tocado diretamente por Alba é da empresa colombiana Frontera Energy, de exploração e produção de petróleo, que tem Gabriel de Alba como presidente de seus conselhos. Há também a Gateway Casinos, operadora de jogos e entretenimento do Canadá, e o caso mais recente da Pat McGrath Cosmetics, dos Estados Unidos.

Natural do México, Gabriel de Alba possui investimentos na América do Norte e na América Latina e tem dupla formação em finanças e econômica pela NYU Stern School of Business e um MBA pela Universidade Columbia. Além de ter feito pós-graduação em matemática e ciências da computação em Harvard. Ele possui 25 anos de experiência em investimentos.

Alba é especializado no controle de investimentos em empresas em dificuldades financeiras e subvalorizadas, formulando estratégias focadas em recapitalização. O foco do trabalho está nos setores de tecnologia, hotelaria, farmacêutico/saúde, mídia, telecomunicações.

Desta forma, a GDA viu no Botafogo a oportunidade de dar o pontapé no meio do futebol. A prioridade da empresa é trabalhar de forma independente e, apesar de ter chegado ao Botafogo por intermédio de John Textor, o americano não está envolvido no possível futuro entre GDA e Botafogo. No entanto, a empresa admite trabalhar com a Eagle/Ares se for necessário.

Empréstimo via Textor no início de 2026

Em fevereiro, a SAF do Botafogo contraiu um empréstimo junto à GDA Luma para quitar pendências urgentes – entre elas, o fim do transfer ban causado pela inadimplência na transferência de Thiago Almada. Este empréstimo foi motivo de diversas divergências internas entre social, a SAF e inclusive resultou na saída de Thairo Arruda, ex-CEO.

O ge teve acesso ao contrato em que a transação foi descrita como a provisão de “liquidez em último recurso”. A GDA emprestou US$ 22,8 milhões (cerca de R$ 113,3 milhões, na cotação atual) – quantia líquida após a dedução das taxas de transação de um empréstimo de US$ 25 milhões (cerca de R$ 124,2 milhões).

A partir da medida precautelar antecedente à recuperação judicial, a SAF Botafogo causou um “uncured event of default” (evento de inadimplência não sanado) o que fez a dívida saltar de US$ 25 milhões para ao menos US$ 55 milhões (cerca de R$ 273,3 milhões). A partir do início do processo, a GDA passou a ter direito a 200% do valor emprestado, que crescerá a partir de uma taxa mensal de 20% de juros.

Nos bastidores do Botafogo, tanto social quanto SAF, o modelo de empréstimo assinado por John Textor foi tratado como abusivo e, inclusive, não contou com a assinatura do presidente João Paulo Magalhães. Ele precisa assinar para a transferências das ações, que foi uma das garantias dada pelo americano no contrato.

Apesar do desgaste em função do empréstimo, foi neste momento que a GDA se tornou uma possibilidade para comprar a SAF Botafogo. João Paulo Magalhães intensificou as conversas para conhecer e negociar com Gabriel de Alba. O primeiro contato entre as partes foi para a discussão do empréstimo, que aconteceu por intermédio do BTG, contratado pelo social para uma consultoria.

Logo depois, JP Magalhães e Gabriel de Alba passaram a ter reuniões frequentes para alinhar uma proposta de forma que Textor não estivesse envolvido na negociação. A proposta foi enviada no dia 4 de maio e ainda não foi assinada pelas partes. A tendência é que o cenário avance nos próximos dias depois do acordo de paz na Justiça feito entre o Botafogo e a Eagle/Ares.

A GDA é a favorita para assumir, mas não é a única candidata. Há outros fundos especializados em recuperação, mas a GDA foi a única a sinalizar que quer administrar o clube no futuro. O outros fundos – que não tiveram os nomes divulgados – demonstraram o interesse em recuperar o clube e vender depois. Há também uma proposta feita por Textor para recomprar a SAF.

As propostas precisarão ser apresentadas em uma reunião do Conselho Deliberativo, ainda com data a definir. O objetivo é apresentar cada uma delas, conversar e discutir todos os pontos até o Conselho Deliberativo tomar a decisão de aceitar ou não. A partir disso, será necessário convocar uma Assembleia Geral na SAF com a ordem de votar o novo investidor.

Fonte: Globo Esporte

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