(Fotos: Divulgação/Assessorias/Foto: Herick Pereira/Aleam e – Emanuelle Baires/Semcom)
Manaus (AM) – Diferente das últimas eleições no Amazonas, tradicionalmente marcadas pela polarização entre dois grupos políticos, a disputa pelo Governo do Estado em 2026 começa a ganhar contornos inéditos. Com as principais estruturas de poder divididas entre diferentes pré-candidatos e a influência direta de lideranças nacionais como Lula e Bolsonaro, o cenário político amazonense se tornou mais fragmentado e imprevisível.
Nos bastidores, analistas políticos avaliam que ao menos quatro nomes aparecem atualmente com viabilidade real de chegar ao segundo turno: Roberto Cidade (União Brasil), o ex-prefeito David Almeida (Avante), o senador Omar Aziz (PSD) e a empresária Maria do Carmo Seffair (PL).
A principal diferença em relação às eleições anteriores é justamente a divisão das chamadas “máquinas políticas”. Enquanto Roberto Cidade passou a comandar a estrutura do Governo do Amazonas, David Almeida mantém influência sobre a Prefeitura de Manaus. Omar Aziz conta com forte articulação junto ao Governo Federal e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Maria do Carmo concentra o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.
Roberto Cidade assume máquina estadual
No dia 4 de maio de 2026, Roberto Cidade foi eleito governador do Amazonas por meio de eleição indireta realizada pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). A escolha ocorreu após as renúncias simultâneas do governador Wilson Lima e do vice-governador Tadeu de Souza, que deixaram os cargos para disputar as eleições de outubro, dentro do prazo de desincompatibilização.
Presidente da Aleam até então, Cidade venceu a eleição com apoio unânime dos 24 deputados estaduais. Ele assumiu o mandato tampão ao lado do vice-governador Serafim Corrêa (PSB), permanecendo no cargo até janeiro de 2026.
A chegada ao Governo do Estado altera diretamente o cenário eleitoral. Como governador em exercício, Roberto Cidade passa a ter visibilidade administrativa e controle da máquina estadual, podendo acelerar entregas, obras e ações institucionais. Logo nos primeiros dias de mandato, iniciou agendas públicas com vistorias em conjuntos residenciais e coordenação da Operação Cheia 2026, enviando ajuda humanitária para municípios do interior.
Cidade também carrega um ativo eleitoral importante: em 2022, tornou-se o deputado estadual mais votado da história do Amazonas, com 105.510 votos.
David Almeida aposta na força da Prefeitura
O ex-prefeito de Manaus, David Almeida, chega à disputa sustentado pela força política e administrativa da capital amazonense. Ao renunciar à prefeitura no dia 31 de março para disputar o Governo do Estado, David transferiu o cargo ao vice-prefeito Renato Junior, aliado considerado de confiança, mantendo influência sobre a estrutura municipal durante o período eleitoral.
A estratégia busca transformar a gestão da Prefeitura de Manaus em uma vitrine eleitoral, fortalecendo sua presença principalmente na capital, maior colégio eleitoral do estado.
Além disso, David tenta explorar sua passagem pelo Governo do Amazonas em 2017, quando assumiu interinamente após a cassação do então governador José Melo. Durante o curto período no comando do estado, ele priorizou a regularização de pagamentos e passou a utilizar essa experiência como argumento político para reforçar a imagem de gestor que conhece a estrutura estadual.
Nos municípios do interior, aliados de David afirmam que ele frequentemente relembra visitas e envio de recursos realizados durante os quatro meses em que ocupou o cargo de governador interino, tentando desconstruir críticas de que sua força política estaria restrita apenas à capital.
Omar Aziz mantém força no interior e ligação com Lula
O senador Omar Aziz aparece como um dos nomes mais experientes da disputa e lidera diferentes pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento. Ex-governador do Amazonas entre 2010 e 2014, Omar consolidou forte influência política no interior do estado e mantém amplo trânsito em Brasília.
A expectativa nos bastidores é que Omar seja o principal palanque do presidente Lula no Amazonas em 2026. A proximidade com o Governo Federal é considerada estratégica para atrair o eleitorado de esquerda, além de fortalecer alianças políticas e garantir visibilidade nacional.
No Senado, Omar ocupa posição de destaque e utiliza o envio de emendas parlamentares e a interlocução com ministérios como uma das vitrines de sua pré-campanha.
Sua trajetória no Executivo estadual também aparece como um dos pilares da campanha. Omar assumiu o Governo do Amazonas pela primeira vez em 2010, após a renúncia de Eduardo Braga para disputar o Senado. No mesmo ano, venceu a eleição ainda no primeiro turno com mais de 63% dos votos válidos e permaneceu no cargo até abril de 2014, quando deixou o governo para disputar o Senado Federal.
Apesar de largar como um dos favoritos, interlocutores políticos avaliam que a entrada de Roberto Cidade na disputa pode mexer justamente em uma das principais fortalezas de Omar: o interior do estado, tradicional reduto político do senador.
Maria do Carmo cresce com apoio do bolsonarismo
A empresária Maria do Carmo Seffair surge como o principal fenômeno de crescimento da direita amazonense. Filiada ao PL, ela consolidou a pré-candidatura com apoio explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro.
Diferente de outros nomes da direita que tentam dialogar com diferentes grupos políticos, Maria do Carmo aposta em uma identificação direta com o eleitorado conservador e no discurso alinhado ao bolsonarismo.
A filiação ao Partido Liberal garantiu à empresária estrutura partidária, tempo de televisão e acesso ao fundo eleitoral, além de fortalecer sua posição como principal representante da direita conservadora no Amazonas.
Pesquisas divulgadas entre março e maio de 2026 mostram crescimento da pré-candidata, que já aparece, em alguns levantamentos, tecnicamente empatada com Omar Aziz em alguns cenários. A força eleitoral é mais evidente em Manaus, onde o eleitorado conservador possui maior concentração histórica.
Cenário aberto
A fragmentação das forças políticas mudou a lógica tradicional das eleições no Amazonas. Em disputas anteriores, o cenário costumava rapidamente se consolidar entre dois favoritos. Agora, com máquinas divididas, influência simultânea de Lula e Bolsonaro e diferentes grupos políticos disputando espaço no interior e na capital, o cenário segue completamente aberto.
Nos bastidores, lideranças políticas admitem que a eleição de 2026 pode se transformar em uma das mais imprevisíveis e acirradas da história recente do Amazonas.
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