Menino de 11 anos morre semanas após acordar com morcego na boca


Caso raro foi veiculado em revista médica canadense como alerta sobre contágio de

1 jul
2026
– 22h43

(atualizado às 23h02)




Criança morreu de raiva em caso raro no Canadá

Criança morreu de raiva em caso raro no Canadá

Foto: Getty Images

Um caso raro envolvendo a morte de uma criança de 11 anos por raiva foi veiculado com detalhes na revista Canadian Medical Association Journal. O incidente ocorreu em 2024, mas ganhou repercussão apenas nesta última semana com a publicação.

Na edição, os médicos infectologistas descrevem o caso de uma criança que morreu de raiva há quase dois anos. O menino estava com a família em uma casa de campo no norte de Ontário, no Canadá, quando foi acordado por um morcego que pousou em sua boca. 

Ele espantou o morcego com um tapa e, em seguida, seu pai pegou o animal em uma panela e soltou na natureza. Por não terem visto arranhões ou mordidas no rosto do filho, os pais não pensaram que a presença do morcego poderia ter causado algum mal e, por isso, não levaram a criança ao médico.

Cerca de três semanas depois, o menino começou a sentir formigamento, dormência e inchaço no lado direito do rosto. O quadro neurológico piorou nos dias seguintes e ele acabou vindo a óbito. O contato com o morcego transmitiu raiva para o menino. 

“Para nós e para a família, era importante aproveitar a oportunidade para extrair lições e experiências de aprendizado do caso dele, a fim de ajudar a disseminar a conscientização e o entendimento sobre a infecção e os riscos da raiva”, escreveu o Dr. Brian Hummel, autor sênior do relato de caso e médico especialista em doenças infecciosas pediátricas do Hospital Infantil McMaster, em Hamilton.

De acordo com o especialista, uma vez que os sintomas de raiva iniciam, não há tratamento nem cura. O vírus tem um período de incubação relativamente longo, que pode levar semanas, antes que os primeiros sintomas comecem a aparecer. 

Nos dias seguintes à exposição, o tratamento com vacinas e anticorpos pode impedir a infecção. “Se você contrair raiva e apresentar sintomas, a infecção é quase sempre fatal. Mas se a prevenção for feita antes do desenvolvimento dos sintomas, a eficácia é quase sempre garantida”, acrescentou Hummel. 

O vírus da raiva afeta os nervos ao redor do local por onde entrou no corpo e, em seguida, chega à medula espinhal e ao cérebro, levando, em última instância, à morte, como foi o caso da criança. O médico pontuou que é uma infecção “extraordinariamente rara” em humanos no Canadá, onde existem apenas 28 casos relatados desde 1924.



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