As pandemias assumem diversas formas, mas, nos últimos tempos, os principais responsáveis têm sido vírus com genomas compostos de RNA (em vez do mais conhecido DNA). Milhares de espécies de vírus de RNA já foram identificadas, e pode haver milhões, mas apenas 239 infectam seres humanos. Recentemente, publicamos um catálogo que ajuda a identificar os mais perigosos.
O tipo e a gravidade da doença são indicadores importantes, mas não haverá pandemia a menos que o vírus possa se espalhar entre as pessoas. Isso pode envolver contato físico, inalação de partículas transportadas pelo ar, exposição a sangue ou fezes, ou a picada de um mosquito ou carrapato.
Para dois terços dos vírus da nossa lista, é altamente improvável que uma pessoa infectada os transmita. Esses são conhecidos como vírus zoonóticos, o que significa que as pessoas geralmente os contraem de animais, e não de outras pessoas. A raiva é um exemplo.
Isso parece tranquilizador, mas os vírus evoluem rapidamente e há uma preocupação compreensível de que um vírus zoonótico possa adquirir a capacidade de se espalhar entre seres humanos. É por isso que os cientistas estão tão preocupados com a gripe aviária. Mas não há nenhum exemplo documentado de um vírus de RNA fazendo isso. A raiva não o fez, embora haja dezenas de milhares de casos em humanos a cada ano.
Uma ameaça muito maior vem de vírus que já têm a capacidade de se espalhar de pessoa para pessoa. Eles podem se tornar ainda mais transmissíveis — como aconteceu com uma série de variantes do SARS-CoV-2 —, mas eles surgiram a partir de vírus de animais que já eram capazes de se espalhar entre as pessoas. No passado distante, essa foi provavelmente a origem do sarampo, da caxumba e da rubéola, além de dezenas de vírus associados a resfriados e infecções gastrointestinais.
Depois, há vírus capazes de se espalhar entre humanos, mas que, até agora, causaram apenas surtos limitados. Isso ocorre porque seu número R (quantas pessoas, em média, uma pessoa infectada acaba infectando) é muito baixo e as cadeias de infecção acabam se extinguindo por conta própria. Mas os números R podem mudar; por exemplo, quando um vírus antes restrito a aldeias remotas chega a uma cidade. Isso aconteceu com o vírus ebola do Zaire na África Ocidental em 2014.













