A Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) matou, na noite desta sexta-feira (10), mais um suspeito de participação no atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos.
A polícia afirma que Márcio dos Santos Ferreira, conhecido como “Tetão”, seria integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital) e que uma denúncia o apontava como o responsável pelos carros e armas usados na tentativa de homicídio contra o agente.
Na noite de sexta, uma nova denúncia apontou que ele estaria escondido em uma casa na região de São Mateus, na zona Leste de São Paulo. Policiais da Rota foram até a residência e teriam sido recebidos por um homem que confirmou estar dando abrigo a Márcio e que teria autorizado a entrada dos agentes.
Segundo a versão registrada em boletim de ocorrência pelos agentes, assim que entraram no imóvel houve confronto e os policiais revidaram. Ainda conforme os policiais, Márcio foi atingido e socorrido ao Hospital Cidade Tiradentes, mas não resistiu e morreu.
Em nota enviada à imprensa, a Polícia Militar afirma que “durante a averiguação, um indivíduo armado com uma pistola foi identicado, os militares intervieram e ele foi atingido”.
Os agentes afirmam que, com o homem, foi encontrada uma pistola Taurus com 12 munições não deflagradas. A arma foi apreendida.
O homem que recebeu os policiais na entrada da casa foi conduzido ao distrito policial e também será investigado. Foram solicitados exames periciais ao IC (Instituto de Criminalística) e ao IML (Instituto Médico Legal), o caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial no 49º DP (São Mateus) e é investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), com acompanhamento da Polícia Militar.
Os policiais usavam câmeras corporais, cujas imagens também serão analisadas.
Fontes da polícia ouvidas pela CNN Brasil afirmam que “Tetão” é um membro antigo do PCC e já teria sido preso e fugido algumas vezes. Em 2007, ele fugiu com cerca de outros 30 detentos do CDP (Centro de Detenção Provisória) II de Osasco.
Sobe para seis o número de mortos pela Rota
Com essa nova morte, sobe para seis o número de pessoas mortas pela Rota durante as buscas por possíveis suspeitos de participação na tentativa de homicídio do tenente Pimentel.
Três dos mortos não possuem indícios de ligação com o crime. Um deles chegou a ser apontado como suspeito pela PMESP (Polícia Militar do Estado de São Paulo), que depois voltou atrás e descartou a suspeita. Os outros três mortos são indicados como participantes do crime, mas as investigações ainda prosseguem.
Veja as ocorrências de mortes registradas até agora:
- 29/06: uma denúncia teria apontado um homem como suspeito de envolvimento no caso, e agentes da Rota tentaram aborda-lo na Estrada do Aricanduva, na zona Leste de São Paulo. Segundo a polícia, ele reagiu efetuando disparos contra os policiais e foi alvejado. O Corpo de Bombeiros foi acionado, porém o óbito foi constatado no local. Não há confirmação de ligação dele com o atentado contra o tenente Pimentel.
- 01/07: após o recebimento de uma denúncia anônima sobre uma suposta participação de um homem no ataque, agentes da Rota foram até o local, na região de Guaianases, na zona Leste de São Paulo. Segundo o registro da ocorrência, os policiais foram recebidos a tiros ao chegarem no local, reagiram e balearam o homem. Ele chegou a ser socorrido até uma unidade médica, mas não resistiu aos ferimentos. No dia seguinte, em nota, a PM informou que não atribuía ao indivíduo a condição de suspeito de envolvimento na tentativa de homicídio.
- 02/07: em Peruíbe, no litoral Sul de São Paulo, outro homem apontado pela PM como suspeito pelo crime e como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital) foi morto durante uma ação da Rota. Segundo o boletim de ocorrência, as equipes estavam atrás de Elenilson Misael da Silva, conhecido como “Galego”, de 47 anos, quando, ao localizar a caminhonete onde ele estava e anunciar a ação policial, o motorista tentou fugir. Após perseguição, ele foi baleado, socorrido à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da cidade e morreu. A polícia não informou qual seria exatamente a ligação dele com o atentado contra o tenente.
- 09/07: dois homens foram mortos em ação policial da Rota em Heliópolis, na zona Sul da capital. De acordo com a polícia, agentes estavam atrás de Marcelo Jesus Dias, conhecido como “Nego Zum”, suspeito de pilotar a motocicleta utilizada no momento da tentativa de homicídio. Informações teriam apontado que ele estava na comunidade. Segundo a PM, ele foi localizado com outro homem e, durante tentativa de abordagem, ambos teriam reagido, foram baleados, socorridos e morreram. Não há informações sobre a identidade do segundo morto e nem se ele também teria ligação com o crime.
- 10/07: Márcio dos Santos Ferreira, conhecido como “Tetão”, seria integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital) e uma denúncia recebida pela polícia o apontou como o responsável pelos carros e armas usados na tentativa de homicídio contra o tenente Pimentel. Uma outra denúncia apontou que ele estaria escondido em uma casa na região de São Mateus, na zona Leste de São Paulo. Policiais da Rota foram até a residência e o homem foi morto no local. A SSP afirma que houve confronto. A PM afirma que o homem estava armado mas não chegou a reagir.
Questionada sobre as ocorrências, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) não respondeu quais dos mortos são oficialmente apontados como suspeitos ou participantes do crime.
A reportagem da CNN Brasil também questionou a pasta sobre o motivo da Rota ter atendido todas as ocorrências de suspeita de envolvidos no crime mesmo não tendo atribuição de polícia investigativa, mas também não houve resposta. Veja a nota na íntegra da pasta:
“A Polícia Militar trabalha para esclarecer todas as circunstâncias das ocorrências de intervenção policial registradas nos últimos dias. Conforme determina a legislação, todos os casos que envolvem morte decorrente de intervenção policial geram a instauração imediata de Inquéritos Policiais Militares (IPMs).
As apurações seguem os ritos e prazos previstos no Código de Processo Penal Militar (CPPM), com o devido acompanhamento do Ministério Público e da Justiça Militar. Os casos estão em fase de instrução e é prematura a associação com qualquer outro caso.
As investigações referentes aos óbitos e à tentativa de homicídio contra o oficial seguem em andamento pela Polícia Civil, por meio do Departamento Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e das delegacias territoriais.”
Presos e foragido
Até o momento, três homens foram presos na condição de suspeitos de participação na tentativa de homicídio.
Dois deles teriam dado apoio logístico e de transporte no dia do atentado e foram presos no dia seguinte ao crime. O outro, preso nesta terça-feira (7) em Heliópolis, teve a prisão temporária decretada e confessou que foi responsável por se livrar da moto utilizada pelos autores do atentado.
Um quarto homem está sendo procurando como o autor dos disparos realizados contra a vítima. Hércules da Costa Siqueira, conhecido pelos apelidos de “Golias” e “Peruca”, está foragido desde o dia 2, após ter a prisão temporária decretada pela Justiça.
Ele também foi incluído na lista vermelha da Interpol. Segundo informações de inteligência, há um “risco concreto” de fuga do suspeito para o exterior, inclusive por rotas irregulares de fronteira.
No domingo (5), a Polícia Civil de São Paulo divulgou um cartaz com o rosto do suspeito e oferecendo uma recompensa de R$ 50 mil por informações que ajudem a localizar Hércules.
Relembre o ataque
O ataque contra o oficial ocorreu na manhã de sábado, dia 27 de junho, na avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Ronickson estava de folga, à paisana, e havia acabado de sair de uma academia.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele aguardava a abertura de um semáforo em sua moto quando foi surpreendido por dois homens em outra motocicleta.
O tenente foi resgatado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e transportado ao hospital pelo helicóptero Águia da PM.
De acordo com a última atualização, o tenente de 39 anos foi submetido, na manhã desta quinta-feira (9), a um procedimento de traqueostomia no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.
Segundo boletim do hospital, a cirurgia aconteceu sem intercorrências e sem sangramentos. O oficial já retornou ao leito de UTI, onde permanece em estado grave, estável e respondendo aos cuidados de terapia intensiva.
O tenente segue estável do ponto de vista hemodinâmico, com medicação de suporte em dose baixa, sem febre, com diurese presente e função renal estável, seguindo em tratamento antibiótico e recebendo dieta enteral por sonda.
Ronickson é o irmão mais velho de Eloá Pimentel, jovem de 15 anos que foi assassinada em 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves, após ser mantida refém por mais de 100 horas em um caso de grande repercussão na imprensa.













