Vitinho vive fase mais madura da carreira e projeta ano de protagonismo no Nacional

Aos 23 anos, o atacante amazonense Marcos Vitor Sá Fonseca, o Vitinho, vive o momento mais maduro da carreira. Destaque do Nacional FC na temporada de 2025 e elogiado publicamente pelo presidente Saullo Vianna durante participação no podcast Arena A Crítica, o jogador se prepara, em 2026, para sua quarta temporada com a camisa azulina, carregando experiência, confiança e uma bagagem cada vez mais sólida no futebol amazonense.

O início no futebol

A história de Vitinho começou no bairro Cidade Nova, onde entre becos de terra e um campo de areia nasceu um sonho que precisava caminhar quilômetros antes mesmo de aprender a correr atrás dele. Foi ali, no Vale do Sinai, que um garoto franzino, muitas vezes sem chuteira e sempre com o sorriso tímido, começou a acreditar, ainda em silêncio, que um dia seu nome poderia ecoar pelos estádios do Amazonas. “A gente caminhava muito para jogar, um monte de guri junto, atravessando a rua, rindo, sonhando. Meu primeiro campeonato foi no Boas Novas. A gente andava quilômetros. Mas ninguém reclamava. Era felicidade pura”, lembrou. Foi ali, naquele terreno simples, que Vitinho aprendeu as primeiras leituras de espaço, o primeiro drible, a primeira queda e o primeiro gol. Por trás de cada menino que sonha em ser jogador, quase sempre existe um pai que sonhou primeiro. No caso de Vitinho, esse pai tem nome: Lourimar. “Meu pai sempre foi meu maior apoiador. Ele tentou ser jogador, mas não conseguiu. Então meu sonho virou o sonho dele também. Hoje vivemos isso juntos”, contou.

Chegada no Naça

A chegada ao Nacional FC, em 2023, representou mais que uma transferência: foi a abertura de um novo capítulo. O clube, um dos mais tradicionais do Amazonas, enxergou em Vitinho não apenas talento, mas potencial de crescimento e identificação com a torcida. E essa relação se fortaleceu em 2024, quando o Leão da Vila Municipal enfrentou um dos momentos mais delicados de sua história recente. No duelo contra o Operário, o time estava desfalcado, com dois expulsos, e prestes a confirmar um amargo rebaixamento no Estadual. Bastaria um empate para evitar o pior, mas o relógio era cruel. Então, como nas histórias escritas para serem lembradas, Vitinho apareceu. E marcou.“Nunca vou esquecer aquele gol. Foi um jogo dramático. Precisávamos do empate, e no final fiz o gol que salvou a gente. É um dos momentos mais marcantes da minha carreira.” Ali, o atacante não só livrou o Nacional da queda, mas deixou seu nome gravado no coração da torcida. Muitos torcedores o tratam como “cria”, mesmo ele não tendo surgido nas categorias de base do clube.

2025: duas camisas, um só propósito

Depois de iniciar 2025 pelo Nacional, Vitinho foi emprestado para o Manaus FC para a disputa da Série D. Lá, ele viveu um período de desafios, adaptação rápida e um dos momentos mais marcantes da temporada.“Fui muito bem recebido no Manaus, me adaptei muito bem. Era um estilo de jogo muito ofensivo. Joguei até em uma função nova de lateral-direito, iniciei dois jogos nessa função, contra o Humaitá e no jogo da volta contra o Imperatriz.” A passagem pelo Gavião também trouxe um dos capítulos mais complicados de sua trajetória. “Passei vários jogos sem ser relacionado, continuei trabalhando firme e sempre soube que uma hora a oportunidade iria aparecer”, afirmou. A oportunidade veio, ele aproveitou. Assim que voltou a ganhar minutos em campo, Vitinho respondeu com atuação importante. “Quando tive minha oportunidade, estreei com assistência contra a Tuna Luso”, relembrou. O lance marcou a retomada de confiança dentro do clube. O ápice da passagem pelo Esmeraldino aconteceu na última rodada da Série D, contra o Trem-AP. “Era um jogo decisivo. A vitória era importantíssima para garantir a classificação para o mata-mata. O gol saiu quase no fim da partida, a sensação foi maravilhosa”, contou.

Lembrança da Copinha

O Nacional volta a disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2026, e, mesmo já integrado ao profissional, Vitinho acompanha de perto o ambiente dos garotos que viajam para o torneio. Antes de se firmar no profissional, o Vitinho viveu duas experiências que marcaram sua formação: as Copinhas de 2022 e 2023, ambas defendendo o Fast Clube.“Na estreia contra a Ferroviária a gente saiu ganhando e perdeu de virada. Contra o Corinthians aconteceu a mesma coisa: abrimos o placar e levamos a virada”, relembrou. Apesar dos resultados, Vitinho considera aquele período como um dos mais importantes da vida dele no futebol. “Foi uma experiência muito boa. Pegamos uma geração muito forte do Corinthians. Muitos subiram, e um deles é o Murilo, que chegou até à Seleção”, pontuou. Hoje, ao ver os jovens do Nacional se preparando para disputar a Copinha, Vitinho se identifica com cada um deles, porque viveu exatamente o mesmo processo. “A Copinha mexe muito com a gente. Me vejo em muitos dos meninos que vão jogar agora. É um torneio que marca para sempre”, disse.

Projeção para 2026

Com elogios públicos do presidente Saullo Vianna, que destacou sua evolução técnica no podcast Arena A Crítica, Vitinho inicia a temporada com status de atleta consolidado e expectativa alta para o novo ano. “Quero fazer muitos gols, conquistar o Barezão e buscar o acesso para a Série C. É trabalhar muito e deixar as coisas fluírem”, projetou.

Olho no lance

Ao ver os jovens do Naça se preparando para disputar a Copinha em 2026, Vitinho revive as memórias dos dois anos em que jogou o torneio pelo Fast. As viradas sofridas, os campos cheios e a pressão da vitrine nacional moldaram sua trajetória.
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