Vitória contra Egito define o time da estreia da Copa. ‘Tenho a escalação contra o Marrocos’, garante Ancelotti. E Wesley pode ser cortado


Endrick mostrou oportunismo e personalidade. Marcou o gol da vitória contra o Egito. Ganhou moral para brigar por uma vaga na Copa Ken Blaze/Reuters

“Eu tenho a escalação inicial para jogar contra o Marrocos. Tenho uma ideia clara”, garantiu Ancelotti, logo depois da vitória contra o Egito, por 2 a 1, em Cleveland, hoje.

Ele vai escalar o Brasil com três jogadores de marcação no meio-campo: Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá.

O esquema será o 4-3-3.

Acabou a utopia do 4-2-4.

Danilo e Ibañez lutam pela lateral direita.

E Matheus Cunha, Igor Thiago e Endrick pelo comando do ataque.

O importante é a definição do esquema.

A melhor notícia do amistoso.

A pior, o estiramento da virilha esquerda de Wesley.

“Cara, esse momento é muito complicado, porque obviamente a gente quer chegar na Copa do Mundo, a gente quer chegar bem. Obviamente a gente fica preocupado com o Wesley, que é normal nesse fim de temporada.

“Depois de muitos jogos, pode acontecer. Ver o que aconteceu com ele é muito triste, porque a gente sabe o quanto ele trabalha, o quanto ele queria estar aqui. Agora é ver com os doutores o que realmente tem que ser feito e ter a cabeça boa porque ele é muito novo, tem muita coisa pela frente.”

Raphinha falando foi a pior notícia.

Ele deixou evidente a chance real de corte de Wesley, depois do amistoso de hoje, contra o Egito.

O jogador da Roma é o melhor lateral da Seleção Brasileira, na posição mais carente do futebol deste país.

A melhor notícia, a uma semana da estreia da Copa.

Não, não é Neymar.

Mas a postura tática da Seleção.

A marcação implacável na saída de bola.

Ancelotti treinou à exaustão e deu resultado.

Nos primeiros 15 minutos de cada tempo, o Brasil sufoca, desnorteia o adversário.

Como foi contra o Panamá, diante do Egito, os jogadores travaram os defensores rivais.

E deu mais do que certo.

Os gols de Bruno Guimarães e de Endrick o resultado da dedicação impressionante do time brasileiro, na vitória sobre o Egito, por 2 a 1.

Foi o ponto alto do amistoso de hoje, em Cleveland.

A preocupação grave fica por conta de Wesley.

O lateral deixou a partida com estiramento na virilha esquerda. E chorando copiosamente.

A tensão dominou o grupo, com a preocupação que a contusão possa tirá-lo da Copa do Mundo. Se houver o corte, Vitinho e Paulo Henrique são os laterais que fazem parte da lista de 55 atletas que Ancelotti pode convocar.

Lembrando que ele pode levar um jogador de outra posição, caso o treinador italiano queira.

E também uma certeza: o Brasil não terá mais o esquema ‘suicida’ de 4-2-4. No mínimo, a Seleção atuará com três atletas nas intermediárias, que sabem marcar: Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá, titulares.

Zico marcou o gol do Egito, depois de falha assustadora de Marquinhos Mohamed Abd El Ghany/Reuters

Individualmente, os jogadores brasileiros não impressionaram. Muito pelo contrário. Mesmo diante de uma equipe muito menos técnica, Vinicius Júnior e Raphinha, não conseguiram se impor.

A vitória da Seleção foi graças à entrega na marcação, no preenchimento dos espaços. E, principalmente, na saída de bola dos limitados defensores egípcios.

A partida não foi empolgante.

Longe disso.

Depois que o Brasil marcou seu segundo gol, o time se poupou fisicamente.

Não só por faltar só uma semana para a estreia na Copa, contra Marrocos.

Mas pela contusão de Wesley, com indícios muito fortes de corte.

O Egito de Hossan Hassan, montada no 4-4-2, não conseguiu criar. Por conta da marcação brasileira. E pela falta de criatividade.

Seu principal jogador da história, Salah, entrou na segunda etapa, e como mostrava nesta última temporada no Liverpool, vive momento de plena decadência técnica. Perdeu a explosão muscular, a velocidade, os dribles.

No segundo tempo, o ritmo foi lento, sem emoção, com exceção do gol de Endrick.

Aliás, todos os três gols da partida foram de falhas dos defensores. Inclusive de Marquinho.

Aos seis minutos de jogo, Lashin perdeu a bola, de forma infantil, na intermediária. Não viu Bruno Guimarães que o estava marcando. O brasileiro invadiu a área sem marcação e estufou as redes do goleiro Shobeir. 1 a 0, Brasil.

Não houve tempo nem para desfrutar da vantagem.

O lance foi assustador porque envolveu dois veteranos.

Marquinhos decidiu passar a bola para Casemiro.

De pé esquerdo.

O passe foi curtíssimo, errado.

O volante estava até olhando para a frente, não para Marquinhos.

Melhor para Zico, do Egito, que recebeu o presente, invadiu a área e só deslocou Alisson, que saiu, desesperado.

1 a 1, aos 10 minutos.

O Brasil voltou a adiantar suas linhas, mostrando o quanto o time do Egito é fraco. Criou chances para marcar.

Vinicius Júnior e, duas vezes, Igor Thiago, perderam chances claras.

No segundo tempo, Ancelotti fez várias trocas para testar seus atletas, a sete dias da Copa.

E insistiu na marcação sob pressão.

Firme, vibrante, como havia sido no primeiro tempo.

No segundo tempo contra o Panamá, mostrando ser uma grande tendência, na Copa.

E nos seis minutos, Matheus Cunha e Douglas Santos pressionam a zaga egípcia. A bola sobra para Raphinha, que faz ótima jogada e cruza para Endrick marcar.

2 a 1, Brasil.

Com o placar favorável, Ancelotti recuou suas linhas.

E a Seleção passou a preencher os espaços entre sua defesa e intermediária.

O Egito não tinha como conseguir essa barreira.

Em compensação, os brasileiros diminuíram o ímpeto.

E o jogo se tornou modorrento.

Havia, evidente, o receio de nova contusão no time.

O que Wesley passou, tendo de sair aos 15 minutos de jogo, com o estiramento na virilha foi triste demais.

No final, vitória brasileira por 2 a 1.

“Eu acho que a equipe está bem. Fizemos 60 minutos bons, em nível defensivo e ofensivo. Pressionamos alto, bem, equipe jogou com intensidade, respeitando o plano do jogo. Então, muito mais certezas.

“A equipe jogou bem. Jogou com intensidade, ritmo, qualidade. Intensidade na pressão. Os últimos trinta minutos acredito que precisávamos de mais controle. Forçamos muito ataque em profundidade. Não precisávamos disso, estávamos ganhando”, disse Ancelotti, sempre otimista demais nas suas avaliações sobre o desempenho da Seleção.

Endrick empolgado com o segundo gol. Ancelotti viu a estratégia da marcação pressão dar resultado Rafael Ribeiro/CBF

Foi o segundo e último amistoso antes da Copa do Mundo.

E que deixa uma sensação muito marcante.

A de que o Brasil passou tempo curto demais sob o comando de Ancelotti.

O ciclo de preparação para a Copa deveria ser de quatro anos.

Mas foi apenas de um ano, por conta da CBF.

Ancelotti ainda não tirou o máximo dessa equipe desentrosada.

Agora não há o que fazer.

Que venha a Copa do Mundo…

Veja também: Ancelotti diz ter time titular para a estreia na Copa do Mundo: ‘Ideia clara’

Após vitória por 2 a 1 sobre o Egito em amistoso, o técnico do Brasil diz que tem time titular definido para estreia na Copa do Mundo contra Marrocos.

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