CGU identifica rombo potencial de R$ 12 milhões em obra da BR-319, símbolo da disputa política no AM


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(Foto: Reprodução/Controladoria-Geral da União)

Manaus (AM) – Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de superfaturamento de aproximadamente R$ 12 milhões em contratos relacionados às obras da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho e que se tornou uma das principais bandeiras políticas da bancada amazonense no Congresso Nacional.

Segundo as informações divulgadas, as irregularidades estariam relacionadas a falhas na composição de custos e na elaboração dos orçamentos utilizados para a contratação dos serviços.

A constatação reacende o debate sobre a gestão dos recursos públicos destinados à rodovia, considerada estratégica para a integração do Amazonas ao restante do país, mas que há décadas acumula controvérsias envolvendo licenciamento ambiental, questionamentos judiciais e apontamentos de órgãos de controle.

Embora os defensores da BR-319 sustentem que a reconstrução da estrada é fundamental para reduzir o isolamento logístico do Amazonas, fiscalizações anteriores já identificaram problemas semelhantes.

Superfaturamento

Em 2019, o Tribunal de Contas da União (TCU) manteve a condenação da Construtora Gautama e determinou a devolução de R$ 8,1 milhões aos cofres públicos por superfaturamento em um contrato de obras na BR-319, além da aplicação de multa à empresa.

A nova auditoria ocorre em um momento de forte mobilização política em torno da rodovia. Entre os principais defensores da obra estão os senadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD), duas das maiores lideranças políticas do Amazonas.

Braga é candidato à reeleição ao Senado em 2026, enquanto Omar desponta como pré-candidato ao Governo do Amazonas.

Nos últimos anos, ambos têm atuado em Brasília para pressionar o governo federal e os órgãos ambientais pela liberação das obras e pela pavimentação definitiva do chamado “trecho do meio”, considerado o segmento mais crítico da rodovia.

Os parlamentares argumentam que a BR-319 é essencial para garantir segurança alimentar, reduzir custos de transporte e fortalecer a economia amazonense.

Por outro lado, entidades ambientais, o Ministério Público Federal e órgãos de fiscalização têm alertado para riscos de avanço do desmatamento e para a necessidade de rigor técnico e transparência na execução dos contratos.

Os apontamentos da CGU reforçam a preocupação com a fiscalização dos recursos públicos destinados à obra, especialmente diante dos vultosos investimentos previstos para a recuperação da estrada.

Com a proximidade das eleições de 2026, a BR-319 tende a permanecer no centro do debate político amazonense.

Enquanto Braga e Omar seguem apresentando a rodovia como uma prioridade para o desenvolvimento do estado, os novos indícios de superfaturamento aumentam a pressão por maior controle e transparência sobre os contratos financiados com recursos federais.

 

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