Os pesquisadores ressaltam que o trabalho não prova que o envelhecimento biológico provoque diretamente o câncer. O que ele mostra é uma associação consistente entre os dois fenômenos, suficiente para abrir uma nova frente de pesquisa sobre prevenção e diagnóstico precoce.
Como foi feito o estudo
Os pesquisadores analisaram dados de mais de 154 mil participantes do UK Biobank, no Reino Unido, além de pouco mais de 10 mil voluntários do programa de pesquisa norte-americano All of Us.
Em vez de considerar apenas a idade cronológica —aquela contada desde o nascimento—, os pesquisadores estimaram a idade biológica dos participantes. Para isso, analisaram dezenas de metabólitos presentes no sangue e utilizaram modelos estatísticos capazes de indicar o ritmo de envelhecimento do organismo. Depois, compararam essa estimativa com a idade cronológica de cada pessoa.
Quando o organismo apresentava um perfil biológico mais “velho” do que o esperado para sua idade, ele era classificado como tendo envelhecimento biológico acelerado. Além da análise do envelhecimento do organismo como um todo, os pesquisadores avaliaram proteínas do sangue para estimar o envelhecimento de órgãos e tecidos específicos, como o sistema imunológico e o tecido adiposo.
Os resultados chamaram atenção. Participantes do Reino Unido nascidos entre 1965 e 1974 apresentaram envelhecimento biológico 23% maior do que aqueles nascidos entre 1950 e 1954. Já na coorte americana, essa diferença foi ainda mais evidente. Pessoas nascidas entre 1990 e 1999 apresentaram um envelhecimento sistêmico 92% maior, em comparação com os nascidos entre 1965 e 1969.













