Os resultados ainda precisam ser confirmados por novos ensaios clínicos, mas reforçam a ideia de que cuidar da saúde emocional também faz parte da prevenção cardiovascular.
É possível reduzir esse risco?
Embora a ligação entre emoções e doenças cardíacas seja cada vez mais consistente, a ciência ainda busca identificar quais intervenções produzem benefícios duradouros.
Segundo Álvaro Avezum, um dos autores do artigo sobre enfermidade moral, esse é o mesmo caminho percorrido por outros fatores de risco conhecidos. Primeiro, os pesquisadores observaram que hipertensão e colesterol elevado aumentavam a ocorrência de infartos. Só depois estudos clínicos demonstraram que controlar essas condições reduzia efetivamente o número de eventos cardiovasculares.
Agora, o desafio é descobrir quais estratégias conseguem diminuir a hostilidade e seus impactos sobre o organismo. Entre as abordagens estudadas estão psicoterapia, técnicas de manejo do estresse, meditação, práticas contemplativas e intervenções voltadas ao fortalecimento de habilidades como gratidão, empatia e perdão.
Ainda não há evidências suficientes para recomendar uma estratégia específica como forma de prevenir doenças cardiovasculares. Mas uma conclusão parece cada vez mais sólida: o coração não responde apenas ao colesterol, à pressão arterial ou ao sedentarismo. A maneira como lidamos com o estresse e administramos emoções como a raiva também influencia seu funcionamento.












