A defesa de Gutierrez disse à CVM que as operações de risco sacado “eram conhecidas das demais instâncias de governança da companhia, inclusive do conselho de administração e de seus comitês de assessoramento (incluindo, principalmente, comitê de auditoria e comitê financeiro), bem como dos controladores”.
Citações a Beto Sicupira
Um documento citado pelos advogados de Gutierrez trata de uma reunião do comitê financeiro. O documento traz notas sobre a reunião, com referências a Beto Sicupira em uma discussão sobre a possível estruturação de um fundo para financiar fornecedores. Segundo as anotações, o bilionário teria dito: “tudo o que a gente puder não colocar no balanço melhor”.
O UOL também teve acesso à íntegra deste documento citado pelos advogados. Nele, em outra referência a Sicupira, há a seguinte anotação: “Beto reforça que precisamos estudar formas de ganhar dinheiro com a antecipação do fornecedor, não só com o desconto, mas com o financiamento. Ter dinheiro no curto prazo. Ganhar mais do que pagar de juros.”
Em outro trecho da defesa apresentada à CVM, os advogados de Gutierrez citam mensagens trocadas entre uma pessoa da LTS (holding dos bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira) e o ex-diretor financeiro das Americanas, Marcelo Nunes. Na mensagem, a pessoa da LTS pergunta: “A receita de antecipação ao seller está no resultado financeiro digital?”
PAF x risco sacado
Em nota, a assessoria de Sicupira disse que as citações na verdade tratam do PAF (Programa de Antecipação de Fornecedores), sem qualquer relação com o tema do risco sacado.
“O PAF é um programa de antecipação a fornecedores realizado com o caixa próprio da Americanas, cuja implementação foi amplamente discutida, aprovada e devidamente registrada nos demonstrativos contábeis, assim como informada ao mercado com total transparência”, diz a nota.
O programa é um financiamento realizado com caixa da companhia, “ao contrário do risco sacado, que era sistematicamente omitido pela antiga diretoria do conselho e do mercado”, completa a assessoria.
Em material divulgado em 2022, a empresa citava esse programa e dizia que ele era realizado com caixa próprio, por meio da Ame, o braço financeiro das Americanas. A argumentação é que a oferta de antecipação com caixa próprio partia do pressuposto de que a empresa não fazia operações de antecipação com os bancos. Para fontes que acompanham o caso, Gutierrez tenta promover a confusão entre as duas operações.













