
Pesquisadora Monica Montefalcone e sua filha, de 20 anos, morreram durante o mergulho (Foto: Redes sociais, Reprodução)
Uma estudante da Universidade de Gênova foi a única sobrevivente entre os mergulhadores envolvidos em uma tragédia que matou cinco italianos nas Maldivas. Preparada para participar da expedição submarina realizada na quinta-feira (14), a jovem desistiu do mergulho de última hora e permaneceu a bordo do iate Duke of York enquanto os colegas seguiam para o fundo do mar, no Atol de Vaavu, segundo o jornal italiano La Repubblica. Neste sábado (16), um socorrista da equipe de resgate também morreu durante a tentativa de chegar ao local onde estão os corpos.
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Ainda não há informações sobre o motivo que levou a estudante, cuja identidade não foi divulgada, a mudar de decisão e permanecer na embarcação. De acordo com o governo italiano, o grupo tentava explorar cavernas submarinas a cerca de 50 metros de profundidade, nas proximidades da ilha de Alimatha. Autoridades locais classificaram o caso como o pior acidente de mergulho já registrado nas Maldivas.
Descrita pelo La Repubblica como a “única sobrevivente direta daquele dia”, a jovem é considerada uma testemunha-chave para ajudar a reconstruir os momentos que antecederam a tragédia. Embora cerca de 20 pessoas estivessem a bordo do iate quando ele partiu rumo ao Atol de Vaavu, ela era a única além do grupo que deveria ter participado do mergulho.
A expedição, realizada em uma caverna conhecida pela forte correnteza, reunia mergulhadores experientes, em sua maioria pesquisadores. Entre as vítimas estão Monica Montefalcone, professora de biologia marinha da Universidade de Gênova, e a filha dela, Giorgia Sommacal, de 20 anos; a pesquisadora Muriel Oddenino; o cientista marinho Federico Gualtieri; e o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti.
Veja fotos da República das Maldivas, que será atendida por empresa de TI de SC:

Vista aérea de Male, capital da República das Maldivas, país que fica no Sul da Índia (Foto: Shahee Ilyas, Wikipedia)

Aeroporto Internacional das Maldivas, numa ilha do país que fica no Oceano Índico (Foto: Wikipedia, Divulgação)

Mapa das Maldivas, país formado por 1,2 mil ilhas, das quais 203 são habitadas (Divulgação)

Com clima tropical, as Maldivas têm flora e fauna exuberantes (Foto: Maldivas, Divulgação)

Uma das ilhas com florestas nas Maldivas (Foto: Divulgação)
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Resgate de “alto risco”
O porta-voz do governo das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef, afirmou que a caverna “é tão profunda que nem mesmo mergulhadores com os melhores equipamentos se aventuram a chegar perto”.
— Haverá uma investigação separada sobre como esses mergulhadores foram além da profundidade permitida, mas nosso foco agora é a busca e o resgate — declarou após o acidente.
A guarda costeira e unidades militares das Maldivas iniciaram uma operação de busca e resgate considerada de “alto risco”, com mergulhadores especializados, embarcações e apoio aéreo. As condições climáticas adversas, com ventos fortes e alerta amarelo oficial na região, dificultaram ainda mais os trabalhos.
Em comunicado, a Força de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF) informou que “um corpo foi encontrado entre os cinco mergulhadores no Atol de Vaavu”. Segundo o órgão, o corpo estava dentro de uma caverna, onde acredita-se que os outros quatro também estejam. A formação submarina se estende a cerca de 60 metros de profundidade.
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Hipótese de toxicidade do oxigênio
Segundo a imprensa local, uma das hipóteses mais consideradas pela guarda costeira e por especialistas é a toxicidade do oxigênio. O fenômeno pode ocorrer quando a mistura utilizada nos cilindros se torna inadequada para determinadas profundidades, tornando o oxigênio tóxico.
— A 50 metros de profundidade no mar, existem vários riscos; é uma verdadeira tragédia. Podemos formular diversas hipóteses neste momento: uma mistura respiratória inadequada pode criar uma crise hiperóxica quando há um aumento na pressão parcial de oxigênio nos tecidos e no plasma sanguíneo, o que pode causar problemas neurológicos — afirmou Alfonso Bolognini, presidente da Sociedade Italiana de Medicina Subaquática e Hiperbárica.
O pneumologista Claudio Micheletto também apontou a possibilidade de falha nos cilindros de mergulho.
— É provável que algo tenha dado errado com os tanques. A morte por toxicidade do oxigênio, ou hiperóxia, é uma das mortes mais dramáticas que podem ocorrer durante um mergulho, um fim horrível — acrescentou Claudio Micheletto, diretor de pneumologia do Hospital Universitário de Verona, ao veículo italiano Adnkronos.
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*Com informações do O Globo












